Ceará reduz pobreza nos últimos três anos e cerca de 583 mil deixam tal condição em 2025

2 de julho de 2026 - 16:33

A pobreza vem caindo de maneira consistente ao longo dos últimos três anos (2023, 2024 e 2025) no Ceará. Considerando as diferentes linhas (três) definidas pelo Banco Mundial, com valores de R$ 280, R$ 391 e R$ 774 mensais por pessoa (a preços de 2025), é possível verificar reduções de -35%, -21% e -13% na extrema pobreza e na pobreza monetária, respectivamente. Em qualquer que seja o parâmetro considerado, os níveis de pobreza absoluta atingiram os menores valores da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual (PNAD Contínua), iniciada em 2012.

A constatação da redução da pobreza no Ceará está no Enfoque Econômico ( Nº 323) – A evolução recente da pobreza monetária no Ceará com base em diferentes linhas de mensuração, que acaba de ser publicado pela Diretoria de Estudos Sociais (Disoc), que tem como titular o professor Meneleu Neto, do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), Órgão vinculado à Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) do Governo do Estado do Ceará. O trabalho tem como autor o analista de Políticas Públicas Jimmy Oliveira.

Com base na incidência de pobreza monetária no Ceará com base nas três linhas internacionais de pobreza do Banco Mundial para países de renda baixa, média-baixa e média-alta, é possível verificar que quanto maior o valor da linha maior a proporção de pobres. No entanto, segundo Jimmy Oliveira, apesar dos patamares distintos, as tendências são as mesmas. Após um aumento dos índices de pobreza em 2021, em decorrência da redução do valor do Auxílio Emergencial pago durante a pandemia da Covid-19, observa-se uma redução contínua a partir de 2022, em virtude da ampliação dos programas sociais de transferência de renda e a recuperação do mercado de trabalho – ressalta.

O valor mais baixo de R$ 280 mensais por pessoa corresponde a linha utilizada para o cálculo da extrema pobreza. Em 2022 – explica Jimmy Oliveira -, 14,5% da população cearense vivia com rendimento domiciliar per capita abaixo desse limiar. Esse indicador atingiu o menor valor da série histórica da PNAD Contínua de 9,4% em 2025. Isso representou uma redução de 35% na proporção de extremamente pobres no Ceará nos últimos três anos. Em números absolutos, mais de 453 mil cearenses saíram da extrema pobreza no estado nesse período.

De acordo com o Analista de Políticas Públicas, em 2025, o valor do salário mínimo foi fixado em R$ 1.518. Portanto, o valor de ¼ de s.m. é igual a R$379,50 e ½ de s.m. é R$ 759. “É interessante observar então que, embora sejam definidas por critérios totalmente distintos, as linhas de pobreza mais altas têm valores muito próximos aos múltiplos do salário mínimo” – frisa. Tomando como referência primeiro a linha de pobreza de países de renda média-baixa de R$ 391 mensais por pessoa, verifica-se uma redução da incidência da pobreza monetária de 22,9% em 2022 para 18,1% em 2025. Ele lembra que o valor de ¼ de s.m. já foi utilizado como linha de extrema pobreza quando as bases de microdados de pesquisas domiciliares não eram tão acessíveis. Isso significa que haveria uma redução de 21% na extrema pobreza no Ceará, mesmo utilizando essa linha de corte.

Por sua vez, considerando a linha de pobreza de R$ 774 mensais por pessoa para países de renda média-alta, como é o caso do Brasil, calcula-se uma redução de 13,1% na incidência de pobreza monetária entre 2022 e 2025. Em 2022, um pouco mais da metade da população cearense, cerca de 52,6% viviam na pobreza. Esse valor caiu para 45,8% em 2025. Em termos absolutos, isso representou a saída de mais de 583 mil de cearenses da pobreza, medida pela insuficiência de renda para adquirir uma cesta de consumo de bens e serviços essenciais para uma vida digna, de acordo com o padrão de renda do país.

Clique aqui e acesse o Enfoque Econômico Nº 323 – A evolução recente da pobreza monetária no Ceará com base em diferentes linhas de mensuração.

Assessoria de Comunicação do Ipece
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