Estudo do Ipece analisa acordo Mercosul-EU, a questão tarifária e os reflexos nas exportações cearenses

4 de maio de 2026 - 09:07

A integração comercial com o continente europeu via acordo de parceria entre o Mercosul e a União Europeia (UE), que passou a viger no último dia 1º de maio de 2026, representa uma oportunidade histórica para o incremento das exportações cearenses e deve ser percebida como uma janela estratégica que pode ser aproveitada a partir de diferentes canais, que se criam para além das relações comerciais presentes atualmente. O aproveitamento destas oportunidades requer, entretanto, a adoção de iniciativas que precisam ser corretamente construídas e, para tanto, a continuidade e o aprofundamento das análises são essenciais.

Essa é apenas uma das muitas análises que constam no documento Acordo Mercosul-União Europeia: Exportações cearenses e o tratamento tarifário que também apresenta o PORTAL TARIFAS COMERCIAIS ACORDO MERCOSUL-EU, uma plataforma de consulta que permitirá identificar o tratamento tarifário para cada um dos produtos atualmente exportados pelo Ceará para o bloco europeu e que será lançado oficialmente pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) no próximo dia 14, às 14 horas, no auditório do Instituto (térreo do edifício da Seplag, no Centro Administrativo Governador Virgílio Távora, no bairro Cambeba).

De acordo com os autores do estudo, o analista de Políticas Públicas Witalo Paiva, da Diretoria de Estudos Econômicos (Diec) e o assessor Técnico Nivardo Melo, da Diretoria de Gestão Pública (Digep), os ganhos automáticos via redução de preço do produto exportado, a partir dos benefícios tarifários, podem não alcançar níveis relevantes inicialmente. De fato, a maior parcela das exportações já conta com tarifas relativamente menores e, adicionalmente, o processo de desgravação tarifária deve se dar de forma gradual e relativamente longa, entre oito e dez anos.

Diante dessa constatação, os autores aconselham expectativas moderadas quanto aos efeitos potenciais do Acordo com Mercosul-EU sobre a economia cearense no curto prazo. Entretanto, observam que o Ceará, a partir dos benefícios do Acordo e da dimensão do mercado europeu, deve estimular o desenvolvimento de um novo relacionamento comercial, favorecendo o surgimento de um novo conjunto de exportações mais alinhadas aos estímulos que a integração comercial deve fomentar.

Para Witalo Paiva e Nivardo Melo, o Ceará pode atuar no desenvolvimento da produção local utilizando o Acordo como um atrativo adicional para instalação de novos investimentos produtivos no Ceará. Eles recomendam, no estudo, que o Governo do Ceará e seus órgãos de promoção econômica e comercial, como a ADECE e a SDE, monitorem sistematicamente a evolução da pauta exportadora cearense à luz do cronograma de desgravação do Acordo, de modo a subsidiar políticas de diversificação exportadora e melhor aproveitamento das oportunidades associadas ao mercado europeu.

 ESTUDO

O trabalho traz uma breve avaliação das exportações cearenses sob a ótica das tarifas de importação praticadas pela União Europeia. A análise fornece elementos que ajudam a sinalizar para os impactos potenciais sobre as vendas cearenses, considerando as relações comerciais já existentes com o continente e os benefícios tarifários advindos do acordo. Para tanto, analisa, de forma conjunta, as exportações cearenses para Europa e as mudanças tarifárias a partir dos termos do Acordo.

O estudo considera as tarifas atuais e aquelas que devem vigorar a partir do processo de desgravação em decorrência do acordo comercial firmado entre o Mercosul e o bloco europeu.  Neste contexto, o estudo faz uso de um conjunto amplo de dados e informações, combinando bases nacionais, como do Ministério da Indústria e do Comercio, e as características do acordo quanto ao tratamento tarifário conferido pela EU.  As análises consideram diferentes recortes temporais, mas sempre abordando o período recente, entre os anos de 2021 e 2025, o que permite construir uma análise estrutural dos últimos anos.

Além disso, o estudo também apresenta uma plataforma de consulta que permitirá identificar o tratamento tarifário para cada um dos produtos atualmente exportados pelo Ceará para o bloco europeu. “De fato, o Acordo deve dar início a uma nova realidade comercial com a Europa e a plataforma deve ajudar, neste primeiro momento, a perceber as mudanças tarifárias, sua intensidade e de que forma esse processo deve ocorrer ao longo dos próximos anos. De modo mais direto, a plataforma indica em que realidade tarifária as exportações de determinado produto, vendido atualmente sob certas condições de tarifas, passarão a ser comercializadas e em quanto tempo essa nova configuração deve se materializar”.

O ACORDO

A Parceria entre o Mercosul e a União Europeia (UE) teve origem em negociações iniciadas em 1999. O processo atravessou mais de duas décadas de tratativas, sendo marcado por avanços e interrupções condicionados a fatores econômicos e políticos de ambos os lados. Em dezembro de 2024, alcançou-se a conclusão técnica das negociações, com a consolidação dos textos legais e anexos que estruturam o acordo. Ao longo de 2025 e início de 2026, o processo avançou de forma gradual, entrando em vigência no último dia 1º.

O acordo permite acesso ao mercado da União Europeia que abrange 450 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 19 trilhões, com exportações de bens de U$ 2,86 trilhões para o mundo e importação de bens de U$ 2,69 trilhões do resto do mundo. A União Europeia é o maior investidor estrangeiro no Brasil, respondendo por parcela significativa do estoque de investimento direto externo, e figura entre os principais destinos das exportações brasileiras.

Clique aqui e acesse o Ipece informe nº 284 – ACORDO MERCOSUL-UNIÃO EUROPEIA: Exportações cearenses e o tratamento tarifário.

Assessoria de Comunicação do Ipece
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