Estudo mostra taxa de informalidade no mercado de trabalho cearense
22 de maio de 2026 - 10:30
Mais da metade dos trabalhadores cearenses são informais, fenômeno que incide de forma preponderante sobre a população jovem e idosa, do sexo masculino, pretos e pardos, bem como sobre pessoas com baixa escolarização. Nos últimos 10 anos, os valores flutuaram entre 50% e 55%. A taxa de informalidade era de 52,9%, em 2016, e passou para 51%, em 2025. Embora tenha ocorrido queda de quatro pontos percentuais (p.p.) nesse indicador, entre 2024 e 2025, o Ceará apresenta níveis de informalidade superiores a região Nordeste e ao Brasil. A diferença em relação ao percentual nacional é de 13 p.p., o equivalente a ¼ da taxa de informalidade do Ceará. Além disso, essa diferença tem se mantido persistente ao longo dos anos.
Taxa de informalidade no mercado de trabalho- CE, NE e BR – 2016 a 2025
Em 2022, 17 municípios apresentaram taxa de informalidade entre 30% e 50%. Isso representa que aproximadamente 91% dos municípios cearenses possuem mais da metade de sua população ocupada de maneira informal. Os municípios com taxa de informalidade maior que 50% e menor ou igual a 60% somam 26, isto é, 14,1% do total. Já os municípios com taxa de informalidade maior que 60% e menor ou igual a 70% somam 84, ou seja, 45,6% do total. Quase 31% dos municípios possuem taxa de informalidade superior a 70%.
Em grande parte, a informalidade se concentra em trabalhadores do setor privado sem carteira e em trabalhadores por conta-própria sem CNPJ. Os municípios com menor dinâmica econômica, bem como aqueles com elevado percentual de beneficiários do Programa Bolsa Família, são aqueles que apresentam maiores taxas de informalidade. As constatações – e muitas outras – estão no Ipece Informe Nº 285 – Análise das Condições Sociodemográficas e da Distribuição Espacial da Informalidade no Mercado de Trabalho Cearense, que acaba de ser publicado pela Diretoria de Estudos Sociais (Disoc) do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).
O trabalho, que tem como autores Victor Hugo de Oliveira Silva e Cleyber Nascimento de Medeiro, analista de Políticas Públicas, e colaboração de Jader Ribeiro de Lima, também revela a taxa de informalidade por faixas etárias no Ceará para os anos de 2019 e 2025. Embora a informalidade em 2025 seja inferior a observada em 2019 para todas as faixas etárias, há uma relação de parábola entre a taxa de informalidade e as faixas etárias. Essa relação indica níveis elevados de informalidade para os extratos mais jovens da população, alcançando seu nível mais baixo na faixa etária entre 25 e 39 anos e voltando a aumentar para a faixas etárias superiores.
Taxa de informalidade no mercado de trabalho por faixa etária – Ceará – 2019 e 2025
No que tange ao gênero, a informalidade é mais intensa entre os trabalhadores do sexo masculino. A diferença, que era de apenas 2 p.p. em 2019, saltou para 6 p.p. em 2025. Neste último ano, a informalidade atingiu 53,6% dos homens e 47,5% das mulheres ocupadas com idade de 14 ou mais. A taxa de informalidade quando condicionada as categorias de cor/raça, mostra que é maior entre pretos e pardos, quando comparada à população branca. Em 2019, a diferença entre as taxas de informalidade entre pretos e pardos com respeito aos brancos, foi de 13,8 e 11,7 p.p. Essa diferença foi atenuada em 2025, respectivamente, 10,9 e 8,2 p0.p. Neste último ano, a taxa de informalidade observada foi de 44,6% para brancos, 55,5% para pretos e 52,8 para pardos.
Taxa de informalidade no mercado de trabalho por gênero – CE, NE e BR – 2019 e 2025
A incidência da informalidade considerando os níveis de escolaridade da população ocupada de 14 ou mais anos de idade do Ceará evidencia uma clara relação inversa entre a taxa de informalidade e os níveis de escolaridade da população ocupada no Ceará. Por exemplo, a informalidade atinge aproximadamente 80% das pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto em 2025. Para aqueles com fundamental completo ou ensino médio incompleto, a taxa de informalidade é próxima dos 70% no mesmo ano. A taxa de informalidade cai substancialmente para pessoas com ensino médio completo ou superior. Por exemplo, observa-se uma incidência de informalidade de 47,1% para pessoas com ensino médio, passando a 34,6% para pessoas com ensino superior incompleto, e 19,2% para aqueles com superior completo.
Taxa de informalidade no mercado de trabalho por raça/cor – CE, NE e BR – 2019 e 2025
MAIORES X MENORES
Dentre os municípios com as 10 maiores taxas de informalidade em 2023 estão Salitre, Parambu, Aiuaba, Piquet Carneiro, Potiretama, Santana do Cariri, Tamboril, Barreira, Pires Ferreira e Independência. Nesses municípios, a informalidade atinge ao menos ¾ da população ocupada. Em geral, a informalidade em tais municípios é composta principalmente pelos trabalhadores conta-própria sem CNPJ, pelo empregado do setor privado sem carteira assinada e empregados no setor público sem carteira-assinada.
Classificação dos municípios com respeitos as 10 maiores e 10 menores taxas de informalidade (% da população total ocupada) – Censo 2022
Em Salitre, por exemplo, quase 44% das pessoas ocupadas são trabalhadores conta-própria sem CNPJ; outros 22,8% correspondem a trabalhadores do setor privado sem carteira-assinada. Também é possível observar que quase 14% do total de ocupados são trabalhadores do setor público sem carteira assinada. Essas três categorias de trabalhadores somam quase a totalidade da taxa de informalidade em Salitre que chegou a aproximadamente 88% em 2022.
Entre os 10 municípios com as menores taxas de informalidade estão Pacajus, São Gonçalo do Amarante, Frecheirinha, Pacatuba, Sobral, Maracanaú, Fortaleza, Itaitinga, Horizonte e Eusébio. Nesses municípios, a taxa variou entre 33,3% (Eusébio) e 46,4% (Pacajus). Ademais, a informalidade se contra mais em trabalhadores por conta-própria sem CNPJ e trabalhadores do setor privado sem carteira assinada. A maioria desses municípios são pertencentes à Região Metropolitana de Fortaleza, o quais presentam maior dinâmica da economia local com elevada produtividade.
COMO REVERTER
Para Victor Hugo, a redução da informalidade no Ceará passa por políticas públicas complexas, pois os fatores que a determina são de origem institucionais/regulatórios, econômicos e de escolha individual. No entanto – observa -, os governos municipais e estadual podem contribuir para atenuar a informalidade no médio ou longo prazo, ao prover acesso e qualidade nos serviços de educação, saúde, saneamento e banda larga à população. Isso permitirá o aumento da produtividade do trabalhador cearense, atraindo a formalização de negócios no estado – frisa.
Já Cleyber Nascimento afirma que, no curto prazo, a redução da carga tributária sobre serviços e circulação de mercadorias pode ajudar na sustentabilidade de microenpreendimentos e sua formalização, assim como a criação de empregos formais em setores mais dinâmicos. Também é possível incentivar a formalização de micro e pequenos negócios a partir de estratégias que combinam vários componentes, como o fornecimento de informações sobre o processo de registro do negócio, acesso à microcrédito, e assistência personalizada ao beneficiário. O combate à informalidade deve ser prioridade das políticas públicas em âmbito estadual e municipal, justamente por estar por estar diretamente relacionada ao bem-estar da população cearense – finaliza.
Clique aqui e acesse o Ipece Informe Nº 285 – Análise das Condições Sociodemográficas e da Distribuição Espacial da Informalidade no Mercado de Trabalho Cearense.
Assessoria de Comunicação do Ipece
(85) 2018-2461