“Farol da Economia” ressalta bom momento da economia cearense e as perspectivas com acordo Mercosul/ EFTA
9 de outubro de 2026 - 16:03
“O Produto Interno Bruto (PIB) estadual segue apresentando crescimento acima do nacional no segundo trimestre puxado pela forte expansão da agropecuária, seguido pelos serviços. O Ceará continua apresentando consistente geração de empregos, estando entre os melhores resultados do Nordeste. O setor externo vem apresentando bons resultados, com as exportações acelerando em agosto e acumulado no ano um crescimento bem acima das importações”. A análise está na nova edição do Farol da Economia Cearense (Nº 03/2026).
O trabalho acaba de ser lançado pela Diretoria de Estudos de Gestão Pública (Digep) do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Cear (Ipece). O trabalho tem o professor José Fábio Montenegro, titular da Digep, como responsável pela elaboração. A edição contou com a colaboração do analista de Políticas Públicas Bruno Maia Cavalcante; do assessor Técnico Luiz Nivardo Melo Filho e de Tiago Emanuel Gomes dos Santos, técnico, todos da Digep.
De acordo com a publicação, o Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e os países da EFTA (Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein), que entra em vigor em novembro deste ano, é uma oportunidade para o Ceará explorar um mercado de aproximadamente 14,3 milhões de consumidores com elevada renda per capita. A pauta de exportação cearense para o EFTA é hoje reduzida e concentrada em produtos já isentos em tarifa. Portanto, o maior potencial está na diversificação da pauta com produtos que o Ceará produz como cera de carnaúba, couros preparados e quartzitos, com participação apenas marginal na pauta atual destinada à EFTA.
O professor Fábio Montenegro explica que o principal ganho potencial do acordo para a indústria cearense está associado não ao que já é exportado, mas ao que ainda não é. Em 2024-2025, o Ceará exportou US$ 181,4 milhões em cera de carnaúba, insumo de aplicação nas indústrias farmacêutica e cosmética suíças; US$ 64,2 milhões em couros preparados, de interesse para a indústria de artigos de couro de alto valor agregado; e US$ 105,4 milhões em quartzitos e rochas ornamentais, voltados à construção civil e ao design de interiores.
No entanto – observa – a captura efetiva desse mercado depende de ações de promoção comercial direcionadas, da adequação às regras de origem previstas no acordo e do acompanhamento do cronograma de desgravação tarifária por código NCM, disponível no Manual de Desgravação Tarifária do Acordo Mercosul-EFTA. O volume atual de comércio é pequeno, mas a EFTA reúne mercados de alta renda e exigência técnica elevada, compatíveis com a estratégia de agregação de valor e diversificação de destinos já em curso na pauta exportadora do Ceará.
Com relação à economia internacional, as tensões geopolíticas têm se prolongado e resultado em um cenário de elevada incerteza com pressões inflacionárias. Autoridades monetárias de economias centrais têm reagido com aperto monetário. Diante desse cenário, o prêmio de risco global vem se elevando, com os rendimentos dos títulos públicos nos EUA atingindo patamar máximo em 24 anos.
A série Farol da Economia Cearense, disponibilizada pelo Ipece, tem como objetivo apresentar indicadores econômicos e sociais abordando o cenário macroeconômico local, nacional e internacional e apontando algumas perspectivas nestas três esferas. O Farol disponibiliza dados, informações e análises sucintas para que os tomadores de decisão e demais partes interessadas tenham elementos para avaliar prospectivamente os rumos da economia.
Clique aqui e acesse o Farol da Economia Cearense – Nº 03 / 2026.
Assessoria de Comunicação do Ipece
(85) 2018-2461