Nova edição do “Farol da Economia” aponta benefícios do acordo Mercosul e UE para o Ceará
27 de abril de 2026 - 11:33
O acordo de parceria entre o Mercosul e a União Europeia (UE) representa a mais abrangente iniciativa de integração comercial já negociada pelo bloco sul-americano. Para o Ceará, o acordo representa uma oportunidade concreta de diversificação produtiva e atração de investimentos. A combinação entre acesso preferencial ao mercado europeu, matriz energética de baixo custo e capacidade instalada em energias renováveis posiciona a região como potencial plataforma de exportação de bens industriais, produtos agrícolas processados e serviços.
A pauta exportadora cearense para a UE é concentrada em semimanufaturados de aço, frutas frescas (melões, melancias, mangas, bananas), calçados, castanha-de-caju quartzitos e ceras vegetais, entre outros produtos. Esses segmentos já se beneficiam de demanda consolidada no mercado europeu e, com a desgravação tarifária progressiva prevista no acordo, tendem a ampliar sua competitividade frente a concorrentes de países sem acesso preferencial similar.
A análise está na primeira edição de 2026 do Farol da Economia Cearense (Nº 01 – 2026), lançada pela Diretoria de Estudos de Gestão Pública (Digep) do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Cear (Ipece). O trabalho, que traz um capítulo (o sexto) sobre o assunto: Acordo Mercosul- União Européia, tem o professor José Fábio Montenegro, titular da Digep, como responsável pela elaboração. A edição contou com a colaboração do analista de Políticas Públicas Bruno Maia Cavalcante; do assessor Técnico Luiz Nivardo Melo Filho e de Tiago Emanuel Gomes dos Santos, técnico, todos da Digep.
Para o professor José Fábio Montenegro, a captura efetiva dos benefícios do acordo depende de um conjunto de condições que extrapolam o texto do tratado. Em primeiro lugar, há o desafio da competitividade: a exposição progressiva à concorrência europeia exigirá ganhos de produtividade, inovação e redução de custos de produção, especialmente no setor industrial local. Em segundo lugar, a infraestrutura logística e energética será determinante para que exportadores do Ceará consigam aproveitar o acesso preferencial ao mercado europeu. Eventuais gargalos portuários, rodoviários e de conectividade digital representam custos adicionais que podem neutralizar parcialmente as vantagens tarifárias obtidas.
Em terceiro lugar – pontua o Titular da Digep, há o desafio da qualificação da mão de obra. Setores com maior potencial de expansão das exportações, como máquinas, equipamentos, produtos químicos e serviços digitais, demandam trabalhadores com nível técnico e educacional superior à média atual da força de trabalho brasileira, especialmente no Nordeste. A publicação, na íntegra, já pode ser conferida na página do Ipece.
O ACORDO
A Parceria entre o Mercosul e a União Europeia (UE) teve origem em negociações iniciadas em 1999. O processo atravessou mais de duas décadas de tratativas, sendo marcado por avanços e interrupções condicionados a fatores econômicos e políticos de ambos os lados. Em dezembro de 2024, alcançou-se a conclusão técnica das negociações, com a consolidação dos textos legais e anexos que estruturam o acordo. Ao longo de 2025 e início de 2026, o processo avançou de forma gradual, e encontra-se com data de início da vigência provisória em 1o de maio de 2026.
Fábio Montenegro explica que o acordo já se consolida como elemento central da estratégia de inserção internacional do Brasil e do Mercosul, especialmente em um cenário global marcado por reconfiguração de cadeias produtivas, tensões geopolíticas e crescente regionalização do comércio. O capítulo do Farol sobre o tema tem por meta apresentar, de forma introdutória”, os fundamentos e a estrutura do acordo, suas principais implicações econômicas para o Brasil e as oportunidades e desafios que se abrem para o Ceará”.
O acordo – observa Montenegro – permite acesso ao mercado da União Europeia que abrange 450 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 19 trilhões, com exportações de bens de U$ 2,86 trilhões para o mundo e importação de bens de U$ 2,69 trilhões do resto do mundo. A União Europeia é o maior investidor estrangeiro no Brasil, respondendo por parcela significativa do estoque de investimento direto externo, e figura entre os principais destinos das exportações brasileiras.
Para concluir – ele informa que a corrente de comércio bilateral, em 2025, foi de U$100 bilhões e representou 16% do comércio exterior brasileiro. Os impactos estimados em simulações dos efeitos do Acordo comercial Mercosul – UE para o Brasil consideram o efeito positivo de 0,34% sobre o PIB, aumento de 0,76% no investimento e até 0,56% de redução no nível de preços ao consumidor – conclui.
A série Farol da Economia Cearense, disponibilizada pelo Ipece, tem como objetivo apresentar indicadores econômicos e sociais abordando o cenário macroeconômico local, nacional e internacional e apontando algumas perspectivas nestas três esferas. O Farol disponibiliza dados, informações e análises sucintas para que os tomadores de decisão e demais partes interessadas tenham elementos para avaliar prospectivamente os rumos da economia.
Clique aqui e acesse o Farol da Economia Cearense – Nº 01 / 2026.
Assessoria de Comunicação do Ipece
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