Frequência escolar entre jovens no Ceará cresce 12,28%, atinge 75,54% e supera índices do Nordeste e do Brasil

10 de junho de 2024 - 14:50

Os indicadores no âmbito educacional e do mercado de trabalho cearenses, consequentemente a variação de jovens que não trabalham e não estudam (os chamados nem-nem) revelam, no final do ano passado (quarto trimestre), um cenário de recuperação e estabilização após a pandemia (Covid 19). Na educação, por exemplo, a trajetória da média móvel da taxa de frequência escolar líquida, para jovens de 15 a 17 anos, apresenta tendência crescente no longo prazo (12,28%), bem como no curto prazo (5,24%). Com uma média móvel de 75,54% destes estudantes frequentando o ensino médio, em 2023/T4, o Ceará se distancia ainda mais do Brasil (69,11%) e do Nordeste (65,19%) apresentando cada vez mais, uma menor distorção idade-série.

Média móvel da proporção de jovens (15 a 17 anos) frequentando o ensino médio

A constatação – e muitas outras – está no Boletim Trimestral da Juventude (4º Trimestre/Ano 2023) publicado pela Diretoria de Estudos Sociais (Disoc) do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), Órgão vinculado à Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) do Governo do Estado do Ceará. Ainda na educação, as médias móveis para as proporções de jovens por etapas concluídas para o quarto trimestre de 2023, entre os jovens de 15 a 17 anos, que 82,37%, em média, apresentavam o ensino fundamental concluído. Com tendência ascendente, tanto no longo, quanto no curto prazo, as variações correspondem a 5,7% e 10,39%, respectivamente.

Já a média móvel de jovens entre 18 e 29 anos com o ensino médio concluído correspondeu a 71,89% para 2023/T4. As variações para este indicador nesta faixa etária correspondem a 4% entre 2022/T4 e 2023/T4 e 14% entre 2019/T4 e 2023/T4. Por sua vez, a média de jovens (entre 25 e 29 anos) com ensino superior completo segue apresentando variações positivas, sendo mais expressiva no longo prazo (o equivalente a 34% entre 2019/T4 e 2023/T3) e 4% no curto prazo, chegando a uma média de 17,51% no período analisado.

Média móvel da proporção de jovens por faixa etária e por etapa de ensino concluída no Ceará

Tais tendências crescentes nos indicadores por etapa de ensino concluída apontam para um incremento dos níveis de escolaridade entre os jovens cearenses cada vez maior considerando o período de 2019 a 2023. O nível de escolaridade médio entre jovens cearenses pertencentes à faixa etária de 18 a 19 anos – analisa o estudo – apresenta “discreta tendência de crescimento passando de 11,2 anos de estudo, no quarto trimestre de 2019, para 11,5 anos médios de estudo entre jovens de 18 a 29 anos, em 2023/T4”. O Boletim foi elaborado por Vitor Hugo de Oliveira Silva, analista de Políticas Públicas e colaboração de Rayén Heredia Peñaloza, ambos da Disoc, que tem como diretor o professor José Meneleu Neto.

MERCADO DE TRABALHO

Quanto ao mercado de trabalho, o Boletim observa que, apesar de uma tendência de oscilação, a proporção de jovens (entre 15 e 19 anos) fora da força de trabalho apresenta majoritariamente uma propensão de redução e estabilização, onde, após um aumento entre segundo trimestre de 2022 e primeiro trimestre de 2023, esta volta a cair, chegando a 45,05% em 2023/T4. As variações de longo e curto prazo são observadas em um crescimento de 6,06% e uma queda de -4,08%, respectivamente. Consequentemente, o Ceará fica abaixo do Nordeste (45,83%) e ainda distante do Brasil (36,12%) no quarto trimestre de 2023.

Proporção de jovens (15 a 29 anos) fora do mercado de trabalho

De acordo com o levantamento, a proporção de jovens desocupados (14,25% em 2023/T4) apresenta ainda patamares abaixo do observado no período precedente à pandemia (2019/T4). É possível verificar uma redução de quase 29% no longo prazo e um discreto crescimento entre 2022/T4 e 2023/T4 (4,33%). Esta tendência de queda fica ainda mais explícita, quando comparada à proporção de jovens desocupados durante a pandemia (26,3%), cuja variação entre 2021/T1 e 2023/T4 corresponde a -46%. Comparativamente, o Ceará, no último trimestre de 2023 aproxima-se do nível nacional (13%) e apresenta uma distância do nível regional (17,93%).

No que tange ao rendimento médio de todas as fontes entre os jovens ocupado, em 2023/T4, o valor chegou a R$ 1.416,59. Entre 2019 e 2023, observa-se um aumento de 39% (mais de 397 reais) neste rendimento médio. Já no curto prazo, esta variação também é positiva, porém menos expressiva (15% o que equivale a 186,84 reais). Estas variações indicam, portanto, um ganho real na remuneração entre os jovens no mercado de trabalho. Entre jovens empregados formalmente, este rendimento médio aumenta para R$ 1.959,44. Em contrapartida, entre jovens empregados informalmente, tal rendimento é observado em R$ 1.064,87. Em termos comparativos, observa-se uma diferença de R$ 894,57 entre os dois setores. Tal diferença aumentou 44%, quando comparado ao mesmo período em 2019.

Rendimento médio real efetivo de todos os trabalhos para jovens (15 a 29 anos) ocupados no mercado de trabalho

NEM-NEM

Conforme o estudo, a proporção de jovens que não se encontra frequentando alguma instituição de ensino ou trabalhando corresponde 27,47% em 2023/T4, o que equivale, quantitativamente, a 590.917 jovens. As variações observadas mostram-se discretas: 1,40% no curto prazo e -4,1% no longo prazo. Comparativamente, o Ceará segue próximo à proporção do Nordeste (28,42%) e apresenta uma diferença de mais de 7 p.p com o Brasil (20,62%).

O Boletim Trimestral da Juventude, ao analisar esse grupo por faixa etária, especificamente para a proporção de jovens entre 15 e 17, conclui que esta proporção foi de 5,96% em 2023/T4. No longo prazo segue sendo observada uma redução expressiva de -33,9%; já no curto prazo esta redução é de -3,4%. O Nordeste (5,99%) apresenta uma proporção semelhante ao Ceará, enquanto o Brasil encontra-se ligeiramente abaixo deste patamar, com 4,95% dos jovens entre 15 e 17 anos nesta situação.

A proporção para a faixa etária de jovens entre 18 e 24 anos sem estudar e sem ocupação correspondia, em 2023/T4,  a 33,80% para o Ceará, 35,17% para o Nordeste e 25,17% para o Brasil. Com esta proporção de jovens ao final de 2023, o Ceará apresentou uma variação positiva discreta no curto prazo (1,4%) no curto prazo e negativa no longo prazo (-3,2%). Quanto à faixa etária entre 25 e 29 anos, o indicador apresenta variações mais discretas, tanto no longo prazo (1,1%), quanto no curto prazo (-1,3%), revelando, portanto, uma maior estabilidade neste indicador considerando o período pós-pandemia.

O ESTUDO

O Boletim Trimestral da Juventude tem como objetivo acompanhar os principais indicadores de educação e mercado de trabalho para a população cearense na faixa etária dos 15 aos 29 anos de idade. O documento fornece, aos gestores públicos e sociedade civil, informações sobre o desempenho da juventude quanto à frequência escolar, conclusão dos ciclos escolares, analfabetismo, média de anos de estudos, população jovem ativa no mercado de trabalho, desocupação, informalidade e médias salariais. Em especial, busca-se focalizar e alertar para a quantificação dos jovens que não estudam e não trabalham, visto que tal condição entre os jovens representa uma importante condição de vulnerabilidade social.

Para tanto, este boletim explora os dados da Pesquisa por Amostra Domiciliar Contínua (PNADC) levada à campo pelo IBGE, tendo esta versão iniciado em 2012. Os indicadores aqui apresentados são calculados com periodicidade trimestral, o que permite observar flutuações ao longo do ano e compará-las com anos precedentes, através de variações de curto prazo (um ano) e longo prazo (aqui é considerado um período de 5 anos em relação ao último trimestre).

Ao final de cada ano, é feita uma análise mais aprofundada quanto às variações dos indicadores, aqui apresentados, ao longo do ano. Deste modo, é possível ter uma visão mais analítica sobre as flutuações para o mercado de trabalho, educação, bem como a proporção de jovens em condição de vulnerabilidade que não se encontram estudando, tampouco trabalhando.

Esta edição, em especial, possui variações discrepantes em diversos indicadores, visto que estes foram fortemente influenciados pelo período da pandemia de Covic-19, com efeitos observados a partir do primeiro/segundo trimestre de 2020.  Além disso, também em decorrência da pandemia, a forma de coleta de dados passou de presencial para inquérito telefônico. Assim, desde a alteração na forma de coleta, foi necessária uma nova ponderação dos dados para que esta queda na taxa de aproveitamento da pesquisa não incorresse em um viés e, consequentemente, não prejudicasse os indicadores pela pesquisa apontados.

Clique aqui e acesse o Boletim Trimestral da Juventude – Vol. 4, Nº 10 / 2024.

Assessoria de Comunicação do Ipece
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