Frischtak e Tarcísio Pequeno defendem avaliações das políticas públicas e aproximação com meio acadêmico no Fórum Ceará em Debate

7 de março de 2018 - 15:07

Um dos palestrantes da oitava edição do Fórum Ceará em Debate, o economista Cláudio Frischtak afirma ser impossível pensar em desenvolvimento, a médio e longo prazo, sem ter um alicerce científico, pois a ciência é a base da tecnologia e esta é a base da inovação. Existe, portanto, uma dupla relação, que é biunívoca, entre a ciência de um lado e a inovação de outro. A ciência possibilita, segundo ele, errar menos e corrigir, de forma mais rápida, alguns procedimentos adotados, por exemplo, uma política pública implementada. “A nova economia do desenvolvimento é muito calcada no processo de avaliação, que tem, necessariamente, de ter uma dimensão científica” – observa.

No Ceará – frisa – já existe o processo de avaliação de uma política pública adota e tal comportamento é um exemplo para outros estados brasileiros, que lançam os projetos sem, muitas vezes, terem conhecimento real do seu desenho e nem mesmo uma avaliação posterior. Como exemplo, Cláudio Frischtak citou tem feito um grande progresso na área de educação, principalmente na básica, e agora o mesmo esforço vem sendo realizado na educação infantil. Reconhece, no entanto, que a cultura da avaliação não pode ser “mudada da noite para o dia, pois é um processo”.

Para ele, aos gestores públicos e a sociedade de forma geral tem que estar cientes da importância do processo de avaliação, pois, em última análise, o que está sendo avaliado é o emprego correto dos recursos públicos de um lado e de outro da eficácia das políticas desenvolvidas, que tem, necessariamente, de atingir seus objetivos, mais diante da escassez, cada vez maior, de recursos, sejam federais ou estaduais. “E o Ceará é um estado bem gerido fiscalmente. Todos temos a obrigação de assegurar que exista uma avaliação rigorosa das políticas públicas adotadas” – ressalta.

Outro ponto defendido por Cláudio Frischtak diz respeito à relação entre as academias, as instituições de pesquisas, de ciência com a indústria no sentido lato, ou seja, a atividade econômica, pois cada vez mais asses dois segmentos estão inter-relacionados. O economista Frischtak, Presidente da Inter. B – Consultoria Internacional de Negócios, e o professor Tarcísio Pequeno, presidente da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) foram os dois palestrantes de mais uma edição do Fórum Ceará em Debate. Eles abordaram o tema “A importância da ciência para o desenvolvimento: algumas reflexões para o Ceará” para uma plateia que lotou o auditório do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará, na manhã de hoje (07).

O professor Tarcísio Pequeno acredita que a ciência é imprescindível, pois é o motor do desenvolvimento, pois não existe um país que tenha “galgado este caminho do sub ao desenvolvimento que não seja por intermédio da ciência e está é a visão do Governo”. No Ceará – garante – a política governamental está implementando, cada vez mais, o estreitamento das relações – e também o setor produtivo – entre o poder público e a área acadêmica (universidades) do Estado, “com a ciência feita aqui, por quem está no Ceará”.

Ele fez questão de ressaltar que a aproximação, de fato, é algo concreto, “não é um discurso. Prova disso está acontecendo no Ipece, que reuniu, há pouco,  uma equipe científica da universidade que está se instalando no Instituto justamente para analisar as políticas públicas adotadas pelo Governo. O Ceará, desta forma, está no caminho certo”.  Tarcísio Pequeno estava se referindo  a criação do Centro de Análise de Dados e Avalição de Políticas Públicas (CAPP) criado pelo Ipece a anunciado na abertura dos trabalhos do Fórum Ceará em debate.

FÓRUM

O Fórum, que completa sua oitava edição, é uma iniciativa do Ipece e Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), com apoio do Governo do Estado. Tem como objetivo, de acordo com o diretor Geral do Instituto, professor Flávio Ataliba, ampliar, de forma democrática e transparente, o debate com a sociedade civil sobre temas relevantes do Estado. A primeira edição do Fórum Ceará em Debate foi em agosto de 2017, com a palestra do secretário de Planejamento e Gestão (Seplag) do Governo do Estado, Francisco de Queiroz Maia Júnior, que falou sobre “O Ceará Precisa de um Novo Modelo de Desenvolvimento?”.

O segundo encontro foi com Eudoro Walter de Santana, superintendente do Instituto de Planejamento de Fortaleza (Iplanfor), secretário Executivo do Conselho da Cidade de Fortaleza e Coordenador do Pacto Por Um Ceará Sustentável. Já a terceira edição foi com Mauro Filho, titular da Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará (Sefaz/Ceará), que falou sobre  “A crise do federalismo brasileiro e seu reflexo no Ceará”; o quarto foi com o professor Flavio Cunha, que proferiu palestra sobre o tema “A Economia do Desenvolvimento Humano na Infância e na Adolescência”.

A quinta foi com o ex-ministro Ciro Gomes e o professor Luiz Guilherme Schymura, presidente do IBRE/FGV. A sexta edição ocorreu em janeiro deste ano, e teve como tema “Avaliação dos Setores Dinâmicos da Economia Cearense a partir da Nova Matriz Insumo Produto do Ceará”, abordado por Roberto Luís Olinto Ramos, presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A sétima edição foi com Leandro Piquet Carneiro, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP). Ele abordou o tema “O problema da segurança pública no Brasil e seus reflexos nos estados”, em 20 de fevereiro.

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