Crise na segurança do país é institucional, mas é possível reverter, afirma o professor Leandro Carneiro

20 de fevereiro de 2018 - 14:05

“A crise na segurança publica do Brasil tem um caráter institucional. Ela surge diante da debilidade, da fraqueza das instituições de segurança e justiça. Fraqueza que vem ao longo do período recente da história do país”. A afirmação é de Leandro Piquet Carneiro, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP). Ele abordou o tema “O problema da segurança pública no Brasil e seus reflexos nos estados” no Fórum Ceará em Debate, realizado, na manhã de hoje – e início da tarde -, pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) e Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) do Governo do Estado.

Para o palestrante, a fraqueza das instituições prejudica a capacidade efetiva de exercer o controle das atividades que são fundamentais para garantir a segurança. As instituições como as polícias, o sistema prisional e o Ministério Público precisam funcionar de fato, punindo e controlando as condutas, exercendo, assim, uma série de atividades que são críticas para o controle do crime. “É necessário – e urgente – que tais instituições busquem aprimorar suas práticas e gestões, a fim de que encontrem uma saída para a crise existente na segurança” – observou Leandro Piquet Carneiro.

Mais apesar do descontrole existente na segurança pública do Brasil, salvo raras exceções, como em São Paulo, Pernambuco e no Espírito Santo – até mesmo no Rio de Janeiro, quando da implantação do projeto de pacificação – onde planos têm conseguido reduzir a criminalidade, sobretudo no número de assassinatos, o professor Leandro Carneiro afirma que há possibilidades concretas para reverter o quadro atual. “Existem bons exemplo no país, onde foi verificado mudança positiva na redução de crimes, inclusive a curto prazo. E isso tem um impacto econômico e politico impressionante” – observa.

O investimento na área da inteligência policial no combate ao crime ficou ao longo dos anos, segundo o professor Leandro Carneiro, aquém do desenvolvimento do crime organizado. Isso, aliado a não integração entre os sistemas de inteligências (estaduais e federais), gerou um grande problema, pois investimento somente em equipamentos e no número de policiais não bastam, somente. É necessário – entende- criar o compartilhamento das informações, permitindo o processo, a condenação de indivíduos e de grupos agressivos a sociedade.

Sobre a intervenção do Governo Federal no Rio de Janeiro, Leandro Carneiro considera acertada no momento, pois colabora no aspecto da coordenação, na centralização e no combate que é fundamental: a corrupção existente nas polícias, sobretudo na militar.  O Rio – frisa – tem um problema endêmico de corrupção nas polícias e a intervenção pode ajudar na regeneração das instituições, o que é de suma  importância para a segurança pública.

Logo após a palestra do professor Leandro Carneiro no Fórum Ceará em Debate, que foi aberto pelo diretor Geral do Ipece, professor Flávio Ataliba, foi realizado um debate com efetiva participação dos presentes no auditório do Instituto, que ficou pequeno para comportar os muitos interessados na questão da segurança. O Fórum, que completa sua sétima edição, é uma iniciativa do Ipece e Seplag e tem apoio da Escola de Gestão Pública.

Assessoria de Comunicação do Ipece
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