Ceará, que tem padrão predominantemente importador, ocupa a quarta posição no Nordeste no Grau de Abertura Econômica, com 9,27%

21 de novembro de 2017 - 13:28

O Ceará, na região Nordeste, ocupa a quarta colocação no Grau de Abertura Econômica (9,27 por cento), que é a relação entre a corrente comercial (exportações e importações) e o Produto Interno Bruto (PIB), superado pelo Maranhão, com 28,08 por cento, Bahia, com 21,86 por cento e Pernambuco, com 12,86 por cento. É o que revela o Ipece/ Textos para Discussão (nº 123 – Novembro/2017) – Grau de Abertura Econômica, esforço Exportador e Dependência das Importações: uma Análise Comparativa do Ceará com os Estados e Regiões Brasileiras, que acaba de ser publicado pelo Instituto de Pesquisa e estratégia Econômica do Ceará (Ipece), órgão vinculado à Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) do Governo do Estado.

Desde 2012, o Ceará ocupa o quarto maior grau de abertura do Nordeste, antes superado por Alagoas, mas o Estado manteve, ao longo dos anos (2007 a 2015), o grau de abertura comercial sempre abaixo do nacional e do regional, mesmo com a recuperação do grau de abertura pós-crise de 2009. O padrão comercial internacional do Ceará, de acordo com o documento, é predominantemente importador. A participação das importações no PIB foi de 6,52 por cento, enquanto que a participação das exportações foi menos que a metade, 2,74 por cento, ambos em 2015. O documento tem como autores Alexsandre Lira Cavalcante, analista de Políticas Públicas, Ana Cristina Lima Maia, assessora Técnica, ambos do Ipece, e Tereza Maria de Oliveira, pós-Doutoranda (PPAC/UFC).

NORDESTE

Alexsandre Lira observa que o Nordeste perdeu nítida participação nas exportações nacionais, passando de 8,16 por cento, em 2007, para 7,73 por cento, em 2015, ou seja, variação absoluta de -0,43 pontos percentuais (p.p). Já as importações registraram forte aumento, subindo de 9,77 por cento em 2007 para 12,39 por cento em 2015, acumulando variação absoluta de +2,62 p.p. Como resultado, a corrente de comércio cresceu de 5,49 por cento em 2007 para 9,27 por cento em 2015, representando incremento de +3,78 p.p. Já o produto interno bruto também registrou ganho de participação nacional, passando de 13,03 por cento, em 2007, para 14,12 por cento em 2015.

O Nordeste apresentou o menor grau de abertura dentre as regiões brasileiras, tendo também registrado crescimento após a crise de 2009, alcançando seu percentual máximo de 14,02 por cento (2015) e mínimo de 9,70 por cento (2009). O grau de abertura nordestino apresentou trajetória ascendente a partir de 2009, cujo padrão comercial internacional é predominantemente importador. O coeficiente de dependência das importações participou com 8,08 por cento do PIB, enquanto o índice de esforço exportador com 5,94 por cento do PIB, ambos em 2015. “Nota-se que o grau de abertura da região Nordeste foi crescente ao longo da série, passando a apresentar um padrão mais importador” – observa o Analista de Políticas Públicas do Ipece.

 

BRASIL

 

Em 2007, de acordo com o Documento, o grau de abertura da economia brasileira foi de 19,81 por cento, significando que o fluxo de comércio exterior, dado pela soma das exportações e importações, representou quase um quinto do valor da produção doméstica do país. Tal participação foi crescente até 2008 (21,72 por cento), revelando uma intensificação das trocas comerciais com o resto do mundo com crescimento do fluxo de comércio em 25,3 por cento comparado ao anterior, enquanto o PIB do país cresceu nominalmente em 14,3 por cento na mesma comparação. Mas por conta da crise internacional de 2008/2009, o grau de abertura da economia brasileira sofreu uma mudança drástica, caindo para 16,54 por cento do PIB.

Superado os primeiros efeitos dessa crise, as transações comerciais voltaram a apresentar uma recuperação lenta e gradual do fluxo de comércio, não sendo mais observado o padrão pré-crise até 2015 (20,06%), ano que registrou o segundo maior valor da série. O grau de abertura da economia brasileira oscilou entre um mínimo de 16,54 por cento (2009) e um máximo de 21,72 por cento (2008). Isso significou uma variação negativa de 5,18 p.p. na comparação desses dois anos. Entre os anos de 2009 e 2015, a abertura comercial brasileira aumentou em 3,52 p.p. Seis anos não foram suficientes para recuperar as perdas observadas do ano de 2008 para 2009.

Clique aqui e acesse o Texto para Discussão Nº 163 – Grau de Abertura Econômica, Esforço Exportador e Dependência das Importações: Uma Análise Comparativa do Ceará com os Estados e Regiões Brasileiras.

Assessoria de Comunicação do Ipece
(85) 3101.3509