Economia e necessidade de mudanças marcam palestras de Ciro e Schymura no Fórum Ceará em Debate

29 de setembro de 2017 - 19:15

Durante quase três horas, entre exposição e debate, o ex-ministro Ciro Gomes e o professor Luiz Guilherme Schymura, presidente do IBRE/FGV, abordaram grandes temas nacionais, sobretudo ligados à economia e à política, durante o Fórum Ceará em Debate Ipece/Seplag, realizado hoje (29). O secretário de Planejamento e Gestão (Seplag) do Governo do Estado, Maia Júnior, atuou como moderador do evento. O auditório da Seplag foi pequeno para a grande quantidade de pessoas presentes, dentre elas secretários de Estado, diretores de Órgãos estaduais e municipais, economistas, analistas de políticas públicas, funcionários públicos e estudantes universitários, interessada em ouvir os palestrantes.

Para Ciro Gomes, o grande problema do Brasil é a grave desigualdade e pobreza, que precisam ser superadas, pois tal realidade tem gerado várias consequências, como aumento da violência, falta de saúde, etc. E para mudar, ele garante que somente existe um caminho: pela política, que é a única com capacidade de resolver as questões coletivas.  O remédio não é negar a política, mas sim ocupá-la. E o povo tem que protestar, mostrar sua insatisfação. O processo começa por este caminho – observou. Já o professor Luiz Schymura entrou na questão do desequilíbrio fiscal do Brasil, mostrando sua origem e as ações vão ser necessárias para reverter a atual realidade econômica do País. Os dois concordam no ponto: a solução passa pela política.

Sobre o diferencial do Ceará em relação a outros estados brasileiros, no que diz respeito ao equilíbrio fiscal, Ciro Gomes, afirma que o Estado era, há trinta anos, o que o Rio de Janeiro é hoje, ou seja, passa por problemas graves, não tendo verba nem mesmo para pagar o funcionalismo público. O Cará elaborou, há três décadas, um projeto e passou a executar, independentemente do Governante, e hoje colhe bons frutos, como, por exemplo, na educação, no equilíbrio fiscal. Os problemas do Estado hoje são outros e agora já se planeja o Estado para 2050.  “isso é que faz a nossa diferença. O Ceará tem projetos, tem metas” – concluiu.

De acordo com o professor Luiz Schymura, uma das principais causas da recessão no Brasil, iniciada em 2014, reside na questão fiscal, onde o Brasil  apresenta, no setor público, um desajuste estrutural em seu fluxo financeiro: “não consegue gerar, em cada exercício fiscal, receita suficiente sequer para cobrir as despesas, mesmo quando o pagamento dos juros não é computado”. A União estabeleceu que, após 2016, as despesas do governo central não poderiam mais crescer em termos reais, aprovando a EC 95, que impõe teto-limite constitucional para gastos. Ele questiona e diz que a medida, por si só, não vai resolver a questão fiscal brasileira, nem mesmo o Governo fazendo as reformas pretendidas, hoje difíceis de serem construídas. Ele tem a convicção de que a dívida pública não poderá continuar a crescer por muito tempo, pois se isso acontecer vai gerar desconfiança nos investidores, com o aumento do risco-Brasil e a saída, inevitável, de capitais do país, desvalorizando, consequentemente, o Real e provocando a elevação da inflação.

CEARÁ 2050

O secretário Maia Júnior, ao abrir os debates, saudou os palestrantes e disse ser uma satisfação receber o ex-governador Ciro Gomes, “a quem o Ceará deve muito pelo grande trabalho realizado em prol do Estado, que passou por profundas mudanças”. Parabenizou o Ipece, “organismo de inteligência do Estado” e lembrou que o professor Flávio Cunha, que foi palestrante na última quarta-feira do Fórum Ceará em Debate, disse que o Instituto é um dos melhores e mais bem equipados do Brasil, afirmação que “me deixou orgulhoso, pois, ao assumir a Seplag, procurei incentivar o Instituto  cada vez mais na sua missão de ser um instrumento vivo da inteligência e de debates na construção de um Ceará cada vez melhor”.

Na oportunidade, ele convidou todos para, no próximo dia 02, no Centro de Eventos do Ceará, às 09h30min, participar do lançamento, pelo governador Camilo Santana, do Plano Estratégico de Desenvolvimento de Longo Prazo – Ceará 2050. O objetivo é traçar estratégias para acelerar o crescimento econômico estadual nas próximas três décadas e atender, de forma mais eficiente, às expectativas da sociedade pela oferta de serviços essenciais – saúde, educação, abastecimento de água, segurança pública e geração de emprego e renda. A iniciativa parte da constatação de que, apesar dos esforços de sucessivos governos cearenses comprometidos com a boa governança, o Estado do Ceará precisa avançar de forma mais acelerada para atender às crescentes demandas sociais.

NAU SEM RUMO

O professor Flávio Ataliba, diretor Geral do Ipece, ao saudar os presentes, afirmou que o Brasil atravessa uma grave crise, seja no campo ético, institucional, político ou econômico e que o principal problema está na ausência de um projeto de país. “Nossa percepção é que o Brasil parece uma grande nau á deriva, navegando em mares agitados, sem um horizonte claro por onde deve seguir”. Para concluir, ele afirmou que é preciso superar o atual momento e ajudar a construir, o mais rápido possível, um projeto para o Brasil. “O Ceará pode ser esse exemplo que o País tanto precisa”.
O auditório da Seplag foi pequeno para comportar o grande número de pessoas que queriam acompanhar o debate. Dentre os presentes, os secretários de Estado Lúcio Gomes, da Seinfra; Artur Bruno, do Meio Ambiente, e Inácio Arruda, da Secitece; os secretários Adjuntos Marconi Lemos, da CGE, e Paulo César Sousa, da Seinfra; José Menescal, diretor do Metrofor; Lúcia Siebra, diretora da EGP; Danilo Serpa, diretor da Ceará Portos; Silas Barros, diretor do Instituto Centec, e Ubiratan Teixeira e Iderbal Bezerra, diretores da ZPE, e Gariel Rolim, presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal de Fortaleza. Também prestigiram o evento empresários, economistas, analistas de políticas públicas, estudantes universitários, etc.

Assessoria de Comunicação do Ipece
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